Regime de Gaddafi diz que 6.500 homens chegam a Trípoli para batalha

O porta-voz do regime líbio, Mussa Ibrahim, afirmou nesta quarta-feira que mais de 6.500 homens chegaram a Trípoli nas últimas horas para apoiar as forças leais ao ditador Muammar Gaddafi na batalha pelo controle da capital.


Ibrahim fez ainda um apelo por mais reforços. "Os voluntários podem vir à Líbia e nós lhe daremos armas, munição e treinamento", disse o porta-voz à rede de TV síria Arrai.

"Se os bombardeios prosseguirem, vamos transformar a Líbia em uma fogueira e saberemos proteger os civis dos bandos e da aliança dos cruzados", afirmou o porta-voz.

Ele disse ainda que as forças armadas líbias detiveram "vários comandantes militares dos revolucionários da Otan" (Organização do Tratado do Atlântico Norte), sem dar mais detalhes.

Em mensagem divulgada pelo mesmo canal sírio, Gaddafi afirmou nesta quarta-feira que passeou de maneira incógnita por Trípoli e que não sentiu que a cidade estava em perigo.

As declarações contradizem as imagens das redes internacionais de TV, que mostram Trípoli sob explosões e constante tiroteio. Nesta terça-feira, os rebeldes oposicionistas tiveram sua maior vitória ao conquistar o complexo de Bab el-Aziziya, onde fica a residência do ditador.

Gaddafi já havia afirmado em mensagem de áudio divulgada na terça-feira que deixou o quartel-general na capital do país por "razões táticas".


"Bab el-Aziziya não era nada além que um monte de escombros após ter sido bombardeado por 64 mísseis da Otan [desde o início do conflito] e nos retiramos por razões táticas", declarou Gaddafi, que não faz qualquer referência ao local para onde se retirou.

Nesta quarta-feira, Gaddafi convocou os habitantes a "limpar" a capital dos rebeldes. "[Convoco] as tribos, os jovens, os idosos a sair às ruas e limpar Trípoli dos ratos".

"Os jovens de Tayura, Souk el Juma e os comitês revolucionários, todos devem lutar contra os traidores, é seu dever", exclamou Gaddafi à emissora, que em seu site afirma que essas declarações foram realizadas em Trípoli, embora sem precisar o local.

Além disso, o ditador líbio pediu às tribos e habitantes de outras cidades que socorram a população da capital. "Convoco às tribos de Sebha, Beni Oualid, Feran, Yufra e Anwaset, para que cada uma assuma uma área para ajudar a limpar a capital. Vocês devem tomar Trípoli e varrê-la para eliminar os ratos".

Em seu discurso, de aproximadamente sete minutos, Gaddafi também disse que os rebeldes se esconderam entre as famílias da capital e ocuparam prédios civis, o que, segundo ele, obrigou as forças do regime a evitar o combate. "O Exército não pode destruir os edifícios e as casas".

O ditador disse ainda que caminhou incógnito por Trípoli, "sem que as pessoas me vissem, e observei jovens dispostos a defender a cidade".

"Homenageio estes jovens", completou Gaddafi, que não revelou exatamente quando fez o "passeio" pela capital.

REBELDES SINALIZAM VITÓRIA
 
As mensagens atribuídas a Gaddafi chegam após a tomada do complexo nesta terça-feira, quando os rebeldes líbios anunciaram também que devem transferir o quartel-general da revolução da cidade de Benghazi, no leste do país, para a capital, Trípoli, em até dois dias, segundo informou Ahmed Bani, um dos porta-vozes militares dos insurgentes, à rede de TV Al Jazeera.

Mais cedo, Mahmoud Jibril, um dos líderes do CNT (Conselho Nacional de Transição), o órgão político dos rebeldes, comentar os últimos desdobramentos da revolução no país durante uma entrevista coletiva em Doha, no Qatar, classificando a tomada do complexo residencial do ditador Muammar Gaddafi como uma "importante vitória" após seis meses de intensos combates.

"A transição começa imediatamente" para a construção de uma "nova Líbia", anunciou. "Construímos agora uma nova Líbia, com todos os líbios como irmãos por uma nação unida, civil e democrática", acrescentou Jibril.

O líder agradeceu o apoio do Qatar e dos EUA, que auxiliaram as lutas dos rebeldes com apoio logístico para exportação de petróleo e com ajuda financeira, respectivamente.

Para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Gaddafi já é "parte da história" e esta terça-feira representa uma importante vitória rebelde, embora a comunidade internacional ainda hesite em dar como totalmente vencida a guerra, já que o paradeiro do ditador permanece indeterminado.

No Qatar, sinalizando o início de um futuro político pós-Gaddafi, Jibril disse que a Alemanha foi um dos primeiros países a adiantar uma linha de financiamento para ajudar o governo rebelde.

O líder comentou ainda os controversos relatos de prisão de um dos filhos de Gaddafi, Saif al Islam, que ontem (22) reapareceu em Trípoli e desmentiu ter sido detido pelos insurgentes.

Para Jibril a polêmica foi uma tentativa desesperada de Gaddafi para obscurecer os êxitos da revolução dos rebeldes.

"Foi um ato cinematográfico, ele apareceu diante da mídia internacional", disse Jibril ao falar sobre o assunto, criticando a aparição do herdeiro do ditador no hotel onde os jornalistas internacionais estão sendo mantidos, no centro de Trípoli, ainda na noite de ontem (22).

Segundo o líder, os relatos obtidos inicialmente eram de que ele havia, de fato, sido detido. Jibril citou ainda as fontes do TPI (Tribunal Penal Internacional), que também divulgou, durante o fim de semana, que Saif havia sido preso.

TOMADA DO QUARTEL-GENERAL
 
Os rebeldes oposicionistas da Líbia entraram na casa de Muammar Gaddafi, depois de avançarem sobre um dos portões do complexo militar de Bab al Aziziya, um conjunto de edifícios fortificados que é considerado o quartel-general do ditador.

Rebelde ergue bandeira da causa rebelde dentro do complexo onde fica a residência de Muammar Gaddafi

Ahmed Omar Bani disse que os rebeldes não encontraram nenhum sinal de Gaddafi ou de seus filhos.
"Bab al Aziziya está completamente sob nosso controle, o coronel Gaddafi e seus filhos não estavam no lugar", disse. "Ninguém sabe onde estão", completou.

O paradeiro de Gaddafi é desconhecido dos rebeldes e da comunidade internacional. Apesar de rumores de que teria viajado à vizinha Tunísia ou até mesmo à Venezuela, o Pentágono diz acreditar que ele ainda está na Líbia.

A conquista do complexo é vista por muitos como o golpe final contra o regime, mas a prisão de Gaddafi seria um fim simbólico ao regime de 42 anos.

FIM DA RESISTÊNCIA
 
Os rebeldes disparavam tiros para o ar em comemoração após entrarem na fortaleza do ditador, disse um repórter da Reuters no local. O combate mais violento começou nas primeiras horas desta terça-feira. Forças pró-Gaddafi tentaram defender o complexo, mas a resistência acabou.

Rebelde escala estátua de Muammar Gaddafi dentro do complexo do ditador em Trípoli

Segundo relatos da correspondente da rede de TV americana CNN, alguns choravam de alegria por terem vencido a resistência, e rebeldes mostravam documentos com estampas oficiais do governo para mostrar que estavam dentro do gabinete de Gaddafi. "Eles conseguiram pegar algumas das armas que estavam com as forças de Gaddafi", disse.

Os rebeldes ainda se organizavam para fazer a segurança do local e se defender de um eventual contra-ataque.

As forças rebeldes avançam também no leste do país, fora da capital. Segundo a Al Jazeera, os rebeldes controlaram o porto de exportação de petróleo de Ras Lanuf e agora avançam rumo a Bin Jawad.

O correspondente do canal de TV na Líbia disse ainda que as tropas de Gaddafi estão recuando da cidade natal do ditador, Sirte, no que seria uma conquista muito simbólica para os oposicionistas.

Fonte:  http://www1.folha.uol.com.b
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