Saiba como lasers podem ajudar cientistas a “salvarem o planeta”



A expressão é vaga e complexa, mas um novo e inusitado sistema de mapeamento de florestas – por meio de lasers – pode ajudar os cientistas nessa árdua tarefa de manter o Planeta Terra um lugar habitável.
Em linhas gerais, os lasers seriam projetados de aviões, a uma frequência de 200 mil fótons por segundo. É o que promete o LiDAR (“Detecção de Luz e Alcance”, na sigla em inglês). Você deve estar se perguntando comoisso pode salvar o planeta.
A destruição de florestas aparece como a segunda principal causa das mudanças climáticas – depois apenas da queima de combustíveis fósseis – e é responsável por até 20% da poluição do carbono global. Reconhecendo o problema, em uma reunião dezembro passado, na cidade de Cancun, no México, foram estabelecidas as bases para um mecanismo conhecido como REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal).
A REDD funciona reconhecendo e quantificando um dos grandes trunfos das florestas: a capacidade de remover do ambiente e transformar o carbono, prejudicial, em oxigênio. Se um país provar que tem reduzido o seu nível de desmatamento (e, consequentemente, a poluição de carbono), ele receberá dinheiro por isso. Esses pagamentos podem vir de outros governos ou de empresas que buscam alcançar metas climáticas.
E é exatamente aí que entra em cena o LiDAR, que é capaz de mapear imagens aéreas com a ajuda de apenas poucas informações obtidas no chão. Os resultados alcançados criam algoritmos que permitem a utilização de imagens de satélite não só para simplesmente contar árvores, mas também para quantificar o carbono que elas contêm.
Não é impossível coletar dados estruturais de uma floresta através da medição das árvores no chão. Mas qualquer um que tenha passado algum tempo no chão da Amazônia peruana, por exemplo, sabe que a tarefa não é das mais simples. As cobras venenosas, os insetos agressivos e o calor incapacitante são o menor dos problemas. Tente colocar uma fita métrica em torno de uma árvore cujo formato do tronco não chega nem perto de um círculo ou estimar a altura de árvores cujas copas se misturam no céu da selva, a dezenas de metros no chão. Não é impossível, mas certamente não é o modo mais fácil, rápido ou barato. Ponto para o LiDAR.
Um ano e meio atrás, o sistema de lasers foi utilizado por pesquisadores da World Wild Fund (WWF) e da Universidade de Stanford, EUA em uma região da Floresta Amazônica no Peru. E os resultados foram satisfatórios. Em três semanas, 11 milhões de acres foram analisados – uma área do tamanho da Suíça – e o custo total foi de apenas alguns centavos por acre.
O LiDAR, um pequeno número de informações obtidas na terra e os algoritmos que transformam dados da estrutura da floresta em quantidade de carbono são baratos, acessíveis e incrivelmente precisos. Esses dados ainda são, além de tudo, poderosos: eles dão aos países em desenvolvimento uma ferramenta muito necessária para angariar recursos financeiros, reduzir as emissões de carbono e desacelerar a tendência doentia de desmatamento.
É tentador pensar no LiDAR como o Santo Graal. Não é bem assim. Ainda são necessários mais compromissos financeiros por parte dos governos, assim como marcos regulatórios e, principalmente, a convicçãodos dos políticos na novidade para que este precioso recurso não seja perdido. [InnovationMSN]

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About Henrique Halbercone

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