Você sabe como e por que os dinossauros eram tão grandes ?


Dê uma olhada nos animais que você encontra no dia a dia. São eles cachorros, gatos, alguns pássaros, vários insetos… Porém, milhões de anos atrás, você toparia com criaturas infinitamente maiores: os famosos dinossauros.
Dentre eles, o maior dos maiores foi o Argentinosaurus. Esta criatura de pescoço comprido e cabeça pequena era um membro de um grupo de gigantes chamados saurópodes. O Argentinosaurus media 43 metros de comprimento e chegava a pesar até 82 toneladas. Bem mais do que o seu Rex, não?
Além de inspiradora, uma criatura dessas proporções inspira todos os tipos de questionamentos que talvez você já tenha se perguntado quanto era criança: Como e por que esses dinossauros, que nasciam relativamente pequenos, se tornavam tão grandes assim? Como eles se alimentam para manter seus corpos tão gigantes? Uma nova exposição no Museu Americano de História Natural, em Nova York, explora os mistérios que rodeiam a enormidade dos dinossauros.
A exposição é dominada por um modelo de Mamenchisaurus, animal um pouco menor em relação ao Argentinosaurus. Um pedaço da pele do dinossauro foi retirada para que os visitantes possam dar uma espiada na fisiologia do animal. No lado esquerdo do abdômen, imagens projetadas mostram os processos do corpo, como o caminho de ar até os pulmões e o sistema similar ao dos pássaro de armazenamento de ar em sacos.
Saurópodes grandes precisavam de mais ar e comida do que as criaturas menores, evidentemente. Um jovem adulto Mamenchisaurus, por exemplo, necessitava consumir mais de 100 mil mil calorias por dia para se manter (um ser humano, por exemplo, precisa de aproximadamente 2 mil calorias – 50 vezes menos). Essa nutrição vinha de folhas e outros materiais vegetais coletados do ambiente em que viviam.
O pescoço comprido – nos Mamenchisaurus, era de nove metros de comprimento – lhes era muito útil, permitindo-lhes alcançar os alimentos de forma eficiente, da mesma forma como acontece com as girafas de hoje em dia. Os Saurópodes usavam seus pescoços para buscar alimento sem precisar mover seus corpos pesados​​. O longo pescoço, por sua vez, era muito leve – em parte por causa da pequena cabeça do dinossauro. O cérebro dos Saurópode pesava apenas 113 gramas, mais de dez vezes menos que o humano: 1,4 kg.
O hábito dos Saurópode de engolir seu jantar por inteiro também era crucial, de acordo com Martin Sander, co-curador da mostra e professor de paleontologia de vertebrados da Universidade de Bonn, Alemanha.
“Mastigar alimentos limita o tamanho do corpo”, explica Sander. Animais que dependem de mastigação, como muitos mamíferos, desenvolvem grandes molares e músculos para triturar os alimentos e tornar os nutrientes disponíveis. À medida que um animal se torna maior, ele precisa de cada vez mais energia. “Eventualmente, esse sistema complexo não pode fornecê-lo as calorias suficientes”, conta.
Saurópodes, entretanto, possuíam dentes, porém eles não os utilizavam para mastigar. Os primeiros Saurópodes tinham dentes em forma de colher que lhes rendiam uma mordida poderosa e, posteriormente, alguns dentes evoluíram para o formato da ponta de um lápis. Eles funcionavam como foices, arrancando folhas das árvores.
Outro fator impede os mamíferos de alcançar o tamanho dos Saurópode: reprodução. Saurópodes podiam colocar 150 ovos ao ano, tornando-os muito mais capazes de garantir a continuidade da espécie no caso de uma catástrofe do que os mamíferos, que investem muito mais tempo e energia em menos filhos.
Isso significa que poderiam existir muito menos exemplares de Saurópodes em uma determinada área em relação ao número de mamíferos e mesmo assim os dinossauros corriam menos riscos de serem eliminados, de acordo com Sander. Baixa densidade populacinal faz com que tamanho dos corpos possam ser maiores, pois cada indivíduo tem acesso a mais recursos.
“Os fatores limitantes do tamanho do corpo se tornam bastante claros ao estudarmos os dinossauros”, relata.
Mesmo os Saurópodes não atingiram o peso máximo teórico para o tamanho dos animais terrestres, estimada entre 150 e 200 toneladas, de acordo com Sander.
Ao contrário do que possa parecer, o bebê Saurópodes não nascia muito grande. Eles saíam de ovos menores que uma bola de futebol e crescia a taxas impressionantes de até 5,4 kg por dia, segundo Michael Novacek, vice-presidente sênior do museu. Este rápido crescimento implicava uma alta taxa de metabolismo e, portanto, sangue quente durante pelo menos um período da vida dos Saurópodes de vida.
Existe uma grande discussão ainda hoje sobre o sangue dos dinossauros. A ciência os aproxima dos répteis (o próprio termo “dinossauro” significa “terrível réptil” em latim), porém ele possuíam um comportamento mais parecido com o de aves e mamíferos. Répteis são animais de sangue frio e, portanto, precisam retirar calor do ambiente já que suas células não fazem esse trabalho para eles. Como consequência, animais de sangue frio possuem um metabolismo lento e são incapazes de realizar atividades que necessitem de muita energia.
Os dinossauros, entretanto, possuíam uma vida muito mais “ativa” se comparados aos atuais répteis, além da própria postura de corpo, que os aproxima dos répteis e mamíferos. Se dependessem exclusivamente do calor do sol, um Saurópode, por exemplo, possivelmente jamais conseguiria levantar seu corpanzil de 80 toneladas a cada manhã.
De qualquer forma, não há dúvida de que os Saurópodes foram bem sucedidos na sua passagem pelo nosso planeta: eles caminharam na Terra durante 140 milhões de anos. [LiveScience]

Fonte: Bruno Calzavara / http://hypescience.com
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