Radioatividade de usina no Japão é mil vezes maior que o normal

Autoridades japonesas e militares americanos buscam reverter falha de reatores nucleares após terremoto seguido de tsunami


O Japão ampliou o raio de isolamento de uma usina nuclear por conta do aumento da radioatividade na região. O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu à população que observe um raio de 10 km de isolamento em torno da central nuclear abalada pelo terremoto, devido a um nível de radioatividade 8 vezes superior ao normal, decorrente do terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão nesta sexta-feira. Citada pelo New York Times, uma comissão nuclear disse que algum material radioativo - não está claro quanto - escapou da usina. Dentro de um dos reatores nucleares o nível de radioatividade é 1 mil vezes superior que o normal.
O premiê declarou "emergência nuclear" depois que vários reatores foram fechados após o terremoto atingir o país, deixando centenas de mortos. Carros, navios e prédios foram varridos por um tsunamide ao menos sete metros após o tremor acontecer a cerca de 400 quilômetros de Tóquio. Ele viajou para a região atingida, logo depois de ter agendado para a manhã de domingo uma reunião de emergência de seu gabinete.
Autoridades japonesas e militares americanos buscam maneiras de reverter falha de reatores nucleares  cujo sistema de resfriamento falhou em operar devido à perda de energia decorrente do terremoto seguido de tsunami, que atingiu o Japão nesta sexta-feira.
De acordo com o jornal americano Washington Post, os sistemas de resfriamento dos reatores da Tokyo Electric Power Company estão operando por baterias que têm duração de mais algumas horas. Sem eletricidade, o reator não é capaz de bombear água para resfriar seu centro, o que pode levar a um derretimento ou vazamento de material radioativo.
Por motivos de precaução, onze reatores nucleares em quatro estações de energia atômica fecharam, mas autoridades afirmaram que um sistema de resfriamento falhou em operar corretamente. Sob a lei japonesa, uma emergência deve ser declarada se um sistema de resfriamento falha. No total, o país tem 55 reatores fornecendo cerca de um terço da eletricidade do país.


Anteriormente, em comunicado, o Fórum Industrial Atômico do Japão disse que o premiê declarou a emergência para o caso "de uma ação imediata" precisar ser tomada, mas acrescentou que não foram detectados vazamentos de material radioativo.
O que estimulou a declaração do estado de emergência foi o reator 1 da estação elétrica de Fukushima Daiichi, um dos seis da instalação. Citando a agência Kyodo, a BBC afirmou que o nível de radiação dentro do reator é 1 mil vezes superior que o normal. O tremor causou um problema no sistema de resfriamento da instalação, que fica na cidade de Onahama, a cerca de 270 quilômetros a nordeste de Tóquio.
A agência de segurança nuclear do Japão ordenou que mais de 2,8 mil pessoas na área saíssem depois de o governo decretar estado de emergência na usina. O tremor causou uma falha de energia e, quando um segundo gerador também parou de funcionar, o sistema de resfriamento foi incapaz de fornecer água para diminuir a temperatura do reator. A agência disse que trabalhadores locais tentavam restaurar o fornecimento de água.
A usina fica no sul de Miyagi, um das regiões mais atingidas, onde um incêndio começou em outra usina nuclear. As chamas estavam em uma turbina em uma das usinas elétricas de Onagawa; fumaça podia ser vista saindo da construção, que é separada do reator da usina. Outra instalação sofre com vazamento de água.
Incêndio
Um incêndio próximo à turbina do centro de geração de eletricidade de Onawaga levou a aumentar as precauções nesse local, mas, segundo a operadora da unidade, Tohoku, o fogo está controlado, não aconteceu nenhum escapamento e não existe risco algum.
"A central está parada", insistiu Tohoku, que administra essa unidade situada na região mais afetada pelo tremor. Segundo a agência local "Kyodo", todas as plantas localizadas na zona litorânea mais afetada pelo tremor anunciaram que não registraram nenhuma anomalia por causa do terremoto.
Explosão em complexo petroquímico
Uma grande explosão atingiu um complexo petroquímico da cidade de Sendai, no nordeste do Japão, horas depois do violento terremoto que abalou essa região do país, informou a imprensa local citando fontes policiais.
A explosão aconteceu numa grande usina de Shiogama, localidade perto da metrópole de Sendai. As imagens da televisão mostravam gigantescas chamas devastando a instalação petroquímica.


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