O maior meteoro a cair na Terra, registrado pela história



O maior meteoro a cair na Terra, registrado pela história,  explodiu com uma capacidade igual a 1.000 bombas atômicas de Hiroshima.


Às 7h17min do dia 30 de junho de 1908 uma imensa explosão ocorreu na floresta do centro da Sibéria. Cerca de 80 milhões de árvores foram derrubadas em uma área de 2 mil km2, próxima ao rio Tunguska. Pessoas à 60 km de distância do epicentro foram atiradas ao chão.

A causa de toda esta devastação foi um asteróide ou cometa, com apenas algumas dezenas de metros de comprimento, que detonou entre 5 e 10km de altura.

Testemunhas lembram a bola de fogo como algo similar a uma “estrela voadora” abrindo caminho através dos céus de junho sem nuvens em um ângulo oblíquo.

O rastro de pó superaquecido da bola de fogo levou a descrições como “coluna de fogo” que foi rapidamente substituída por uma gigantesca nuvem de fumaça negra surgindo no horizonte.

“O céu se dividiu em dois e o fogo apareceu alto e largo sobre a floresta. A divisão no céu cresceu e todo o lado norte estava coberto de fogo”, um habitante local lembra. “Em um momento eu fiquei com tanto calor que não pude agüentar, como se minha camisa estivesse pegando fogo… Eu queria rasgar a minha camisa e jogá-la fora, mas em seguida veio um estrondo do céu. Senti uma pancada forte e fui atirado há alguns metros.”

Essa testemunha teve sorte, mas um caçador que estava muito mais próximo da explosão morreu depois de ser atirado contra uma árvore pela explosão. Mas o deslocamento de ar não fez mais vítimas devido, em grande parte, haver ocorrido em um local remoto.

Esta foto, de uma expedição de 1927, mostra a área próxima ao epicentro da explosão
 Luz forte

O maior impacto espacial sofrido pela Terra nos tempos modernos serve como lembrete da ameaça contínua, que nosso planeta sofre, de objetos vindos do espaço. Descoberta a misteriosa ‘coluna vertebral’ do universo

Se o “impactante” de Tunguska houvesse explodido sobre cidades como Londres as fatalidades poderiam chegar à casa dos milhões.

Os efeitos de Tunguska não foram limitados à Sibéria. Em Londres foi possível ler jornais e praticar esportes na rua, à meia noite. Isso possivelmente ocorreu por causa do reflexo da luz do sol no pó do rastro da bola de fogo.

Uma pesquisa aérea feita em 1938 revelou o epicentro através do ângulo pelo qual as árvores haviam sido derrubadas. Uma área de 50 km de diâmetro ainda se mostrava devastada, com um formato de borboleta.



As árvores no epicentro foram carbonizadas e ficaram sem galhos ou casca, mas permaneceram em pé, que levou a cunhá-las como os “pólos telegráficos”.

Alguns pesquisadores pensam que um cometa teria sido muito frágil para haver causado o evento, e por isso um asteróide é o candidato mais plausível. Mas outros pensam que alguns cometas podem possuir partes de material mais resistente que sobreviveria a um mergulho na atmosfera terrestre.

Mas a ausência de quaisquer crateras conectadas ao evento de Tunguska deixaram a porta aberta para algumas teorias alternativas ao meteorito. Um bloco de antimatéria, o impacto de um buraco negro e, inevitavelmente, uma nave alienígena foram propostas como possíveis causas da explosão.

Mas, apenas no ano passado, pesquisadores sugeriram que o lago Cheko, que não apareceu em nenhum mapa da região antes de 1908, seja o epicentro real do impactante quando mergulhou na Terra. Sinais de radar indicam que há um objeto denso 10 m sob o lago e planejam investigar a área em uma expedição no próximo ano. Há sugestões de que podem haver caído dois objetos separados que explodiram na atmosfera cem anos atrás.


Estima-se que um asteróide de 1 km de diâmetro se choca contra a Terra a cada 100 mil anos. Rochas espaciais de cerca de 10 m de diâmetro se chocam com a Terra a cada 3 mil anos. Planeta gêmeo da Terra certamente existe

Mas alguns pesquisadores suspeitam que a freqüência seja maior do que esta. Mark Bailey investigou um evento conhecido como o “Tunguska brasileiro”. Esse evento pouco conhecido foi aparentemente causado por três grandes meteoritos que caíram na floresta amazônica. O fogo causado continuou por semanas ininterruptamente e despovoou centenas de quilômetros de selva.

Em junho de 2002 satélites militares estado-unidenses detectaram uma explosão equivalente a 12 quilotons. O evento foi atribuído a um asteróide que não foi detectado durante sua aproximação ao nosso planeta e se projetou através da atmosfera.

‘Inverno Nuclear’


O programa internacional de pesquisa Spaceguard trabalha para identificar objetos próximos da Terra que sejam maiores do que 1 km, a classe de objetos que poderia causar um “inverno nuclear” caso colida com nosso planeta, possivelmente ameaçando a civilização.

Objetos do tamanho do meteoro que atingiu a Amazônia em 1930 ou Tunguska, a cem anos atrás, são muito pequenos para serem detectados pelos instrumentos atuais.

Mas não há garantia que o próximo objeto vá explodir no mar ou em áreas pouco povoadas. Isso traz uma nova questão: Estamos preparados para o próximo?

O site BBC News entrevistou o Dr. Richard Crowther, presidente de um programa das Nações Unidas chamado de Near Earth Object (Objeto Próximo à Terra): “O Tunguska nos lembra estes eventos de impactos que ocorreram em um passado recente. As pesquisas sugerem que objetos deste tamanho são numerosos o suficiente para antecipar eventos similares em um futuro relativamente próximo.”

Muitos observadores estão preocupados pela falta de ação para combater a ameaça que os asteróides próximos a Terra apresentam.

Em 2029 um asteróide de 270 m de diâmetro, chamado de 99942 Apophis, estará passando tão próximo da Terra que poderá ser visto a olho nu. Se este colosso primordial passar através de uma região específica do espaço, ou “buraco de fechadura”, com a largura de vários quilômetros, ele irá atingir a Terra em 2036.

Há várias idéias que podem ser utilizadas para evitar uma colisão. Uma delas é utilizar armamento nuclear para vaporizar o objeto. Outra é de utilizar uma espaçonave para tirar o asteróide de seu curso: acelerando-o ou freando-o para que perca o seu encontro com a superfície da Terra.

Se por alguma razão o asteróide não for visto em tempo ou a sua deflexão não funcionar por alguma causa, pode ser necessário dar um “cutucão” para que a pedra espacial se desvie um pouco e acerte o oceano ou alguma área não povoada da Terra.

Fonte: http://hypescience.com
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